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Carta ao meu futuro filho

janeiro 10, 2010

         São Paulo, 12 de março de 2018.

Filho meu,

Esta carta que lhe escrevo será lida um dia, por você mesmo, para que minhas palavras completem meus atos. Foi escrita no dia que você nasceu por uma mãe de primeira viagem, mas não uma mulher recém nascida. E, por isso, com um pouco de experiência do mundo, lhe passa a mensagem.

 O monstro do escuro não existe. Aliás, filho, você um dia verá que o escuro é apenas aquilo que nossos olhos não sabem enxergar, mas que têm pessoas que sabem ver escuridão em muitos dias de sol; e que dias de sol são poderosas lanternas contra a escuridão.

Um dia claro pode ser até um pouco nublado, mas a luz desse dia estará com você se a alegria e o bom humor também estiverem presentes.

Chegar perto da janela não faz mal. Ainda mais se a mão que você segurar for de uma pessoa que olha na mesma direção que você, mas que principalmente poderá lhe acrescentar muitos outros pontos de vista.

Chocolate antes das refeições não é de todo ruim. Pode alterar o sabor do salgado, mas se você não mudar, de vez em quando,  o sabor das coisas, como saber o que elas poderiam ter sido e não foram? E por que não fazer com que elas sejam diferentes?

Cores, formas e texturas estão por todos os lugares. Todas as sensações, experiências e momentos têm suas características. A felicidade pode ser laranja, caber num retângulo e ser translúcido como vidro. O mesmo vale para dias não tão bons. O importante, filho, é perceber que assim como o “sol”  e o “escuro” que lhe disse há pouco, todos os dias têm um pouquinho de cada cor do arco-íris. Nem tudo é amarelo. Nem tudo é cinza.

Histórias em quadrinhos são ótimas para a imaginação e percepção visual. O Homem Aranha não teria feito nada do que fez não fosse a vontade de viver num mundo mais justo. E se a ficção pode fazer um  mundo melhor, o que diremos da realidade! Lembre-se da força (não só a física) dos heróis das estórias e da História.

Pessoas boas, justas e decentes existem, sim. Não só nos contos de fada ou nas lições de moral das fábulas, mas na vida real. É difícil de encontrá-las, mas quando o fizer não as deixe escapar.

Correr de medo, chorar de solidão e sentir saudades que doem não são males condenáveis. Condenável  é não se permitir sentir por medo dessas sensações.

Por falar em medo, aquele que nunca sentiu ou se afirma destemido é de se desconfiar. Não há nada nessa vida que não nos deixe um pouco receosos. Não fosse ele, não saberíamos o que é enfrentar o desconhecido. Falando em “desconhecido”, esse geralmente nos causa receio e hesitação. Mas também nos move na direção do novo, do inusitado; isso sim tem um valor inestimável.

Verá que amargura, ressentimento e mágoa são contraproducentes se carregadas por uma vida toda. Algumas pessoas vão lhe fazer mal e eu, nem sempre poderei evitar.  Contudo, perdoar é necessário, mas lembrar porque se perdoou é mais importante ainda. Algo lhe moveu na direção do perdão. Isso é preciso e precioso.

Do mesmo jeito, não se deixe enganar por promessas que pareçam boas demais à primeira vista. Nem tudo é tão perfeito como lhe vendem a idéia. Seja esperto para desconfiar.

Arte é tudo aquilo que mexe com a sua emoção. É preciso saber incluí-la nos seus dias e, se você puder, incluí-la nos dias das outras pessoas. Todos nós, querido, precisamos de momentos em que nossos pés saem do chão e a imaginação nos faz ver o que está além dos olhos. Por isso, dance, cante, pinte, desenhe. Não tenha vergonha de se expressar.

Por outro lado, manter os pés no chão é igualmente bom. O dia a dia nos mostra limitações variadas: da natureza, do corpo, do homem. Faça tudo bem feito. O melhor que puder e o melhor que a sua saúde permitir. O seu corpo também é um limite e, como todo limite, precisa ser respeitado.

Por falar em limites, filho, há duas palavras importantes e que precisam ser muito bem aplicadas – tudo bem, errar fará parte dos seus dias – “sim” e “não”. Fazem milagres, mas também são limitadores. Nem todo “não” é para o mal e nem todo o “sim” sabe o que permite. Se você ouvir essas palavras vindas de nós saiba interpretá-las: não queremos que você se frustre quando adulto, porém não podemos impedi-lo de cometer seus próprios erros – você só tem essa chance para acertar o máximo possível, e essa chance se chama “vida”; saiba o que fazer com esse presente.

Estude. Muito e sempre. Trabalhe. Muito e quase sempre. Não se deixe consumir por uma tela e um mouse enquanto sua vida -sua chance -acontece lá fora ou aí dentro.

 Parar para descansar é tão importante quanto cumprir um prazo e entregar um trabalho de qualidade. Pessoas descansadas produzem mais e melhor. Acredite.

Carinho, amor, amizade, respeito, afeto e consideração. Palavras maravilhosas, sensações incríveis. Mas você irá encontrar pessoas que ou não sabem muito delas ou que as esqueceram em algum momento do caminho. Nunca as deixe. Pratique esses  ensinamentos. Contudo, não espere nada em troca. O mundo é bem mais egoísta e leviano do que você poderá imaginar. Faça o bem que você achar necessário no momento. Fim da estória. Retribuir é para poucos. Fim da estória de novo.

Não trabalhe contra você, não deixe que um elogio lhe suba a cabeça e que uma crítica -por mais ríspida que seja- acabe com o seu dia. Absorva a lição e continue seguindo em frente. Sempre.

Alguns lhe dirão que você é privilegiado por ter o que tem. Outros podem ter inveja – sim, ainda há quem almeje a vida do outro- dos seus sucessos. O grande ponto é ser humilde: para ser grato por tudo o que tem e para perceber que inveja é um sentimento vazio e pouco produtivo.

Saia do óbvio. Aliás, filho, óbvio é tudo aquilo que se repete inúmeras vezes, leva aos mesmos lugares, acrescenta as mesmas coisas. Fugir dele é possível e, hoje, imprescindível. Exige uma dose de criatividade e vontade. Saiba o que se tem por óbvio e desconstrua: use as oportunidades para enxergar além, moldar novas formas, criar.

Sua profissão será aquela que você escolher. Você. Não deixe que lhe digam o que vai ou não funcionar. Tenha, porém, os olhos apurados para enxergar oportunidades, uma vontade de dar certo, um amor enorme pelo o que fizer. Conte conosco para essa jornada, pois nada nos é mais valioso que a sua felicidade.

Case-se. Ou não. Namore muito, isso sim. Ele ou ela. Você sabe quem pode lhe aumentar a felicidade, mas seja quem for, não projete nele -ou nela- o que você queria que fosse. Aceitação e maleabilidade são as chaves da relação, uma não exclui a outra.

Tenha uma fé. Independentemente da sua religião, todos os credos levam ao mesmo Ser. Muitos serão os nomes, mas o seu coração será amparado sempre por Aquele que tudo provém.

Meu querido, com essa carta não tive a pretensão de lhe passar todo o conhecimento- mesmo porque não o detenho-, mas apenas reforçar as lições que aprendi. De nada teriam valido se eu não as transmitisse para você.

Não é um guia, mas tenho certeza de que muito do que está aí se aplica!

Como aquela que quer o seu bem, sua felicidade e seu respeito, estou sempre de braços abertos para lhe acolher, ajudar e aprender sempre com você.

Cuide-se, filho.

Te amo muito!

Um beijo e muitas cócegas,

Mamãe.

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TRÂNSITO

dezembro 9, 2009

FAROL

ABRE

MOVIMENTO

LENTO

BUZINA

MOVIMENTO

FAROL

FECHA

PEDESTRE

FAIXA

TEMPO

PASSA

FAROL

ABRE

PEDESTRE

ATRAVESSA

CARRO

MOVIMENTO

BUZINA

PALAVRÃO

REGRA

EXCEÇÃO

MOVIMENTO

LENTIDÃO

TEMPO

PASSA

PASSA

PASSA

TEMPO

NOITE

CARROS

TODOS

JUNTOS

RUAS

CHEIAS

PEDESTRES

TODOS

JUNTOS

CALÇADAS

CHEIAS

SINAIS

TRÂNSITO

LENTO

CHEIO

REGRA

SEM

EXCEÇÃO

ASFALTO

TODO

CHEIO

LOTADO

PASSOS

PRESSA

ESCADAS

METRÔ

PESSOAS

MUITAS

BOM

SENSO

NÃO

MOVIMENTOS

MECÂNICOS

PRESSA

CRÔNICA

PACIÊNCIA

ZERO

REPETIÇÃO

REPETIÇÃO

REPETIÇÃO

Entre o Certo e o Fácil

dezembro 9, 2009

Em muitos casos nos deparamos com uma situação assim. Um dos caminhos a se tomar é aquele que nos leva ao que o coração/razão entende ser o melhor; já o outro, nos leva para a zona de conforto, ao que seria um repeteco seguro, “mais do mesmo” que nos agrada.
Muitas vezes, o certo não parece tão certo e nem o fácil tão fácil. Mas logo que a gente para e reflete mais um pouco, a resposta vem.

No amor, por exemplo, fácil é estar numa rotina que já não agrada mais, com algém que passou a não ser mais interessante. Porém, por alguma força do universo, se separar do (a) companheiro (a) é uma missão mais complicada do que simplesmente deixar rolar. Certo, talvez, fosse “deixar partir”, desejar um caminho feliz e bem sucedido e tocar a vida. Ningém disse que seria fácil, certo?

No cinema temos essa dualidade constantemente. Pode ser ficção, talvez mais presente nos romances, comédia. Simplesmente está ali. O mocinho e a mocinha que não podem ficar juntos por um motivo maior, decidem se separar, porque é o mais acertado. Depois de toda a saga do herói e do ponto de virada, o mocinho e a mocinha retomam suas vidas e agora, sim, prontos para encarar o certo de verdade: todos os obstáculos para estarem perto um do outro, fazendo o que o coração manda.

E no nosso dia a dia?  Hora do almoço, por exemplo. Você, que trabalha ou faz estágio, sabe muito bem que comer no caminho para o escritório ou “qualquer coisa rápida” é o que vinga. Depois você se acerta com a balança, colesterol, pressão, certo? Não, fácil. Mas, às vezes, não resta outra opção a não ser escolher o fácil pelo bem maior.

E quando escolhemos o certo, às vezes parece que deu tudo errado. Parece que os dias estão (mais) nublados, chove sem que estejamos de guarda-chuva e faz frio quando não temos blusa (bem que sua mãe falou para levar!). E por quê essa sensação? Porque crescemos. Nos libertamos daquilo que não nos deixava perceber o mundo com mais clareza. Permitimos que nossa zona de conforto fique uma zona mesmo, bem bagunçada. Porque sabemos que, assim que ela entrar em ordem de novo, será hora de reavaliar o certo. E o fácil. E será esse o certo? Fácil!

Fale conosco. Seu monólogo é bem vindo.

dezembro 7, 2009

Ultimamente tenho me deparado com uma constante: a falta de respostas. Eu não acreditava que era possível ficar tão no escuro assim, achava que era mais uma falta de sorte minha, mas não.
Como estudante de publicidade aproveito para colocar meus olhos críticos por aí. E espero que esse post faça efeito, já que as empresas perceberam que muito é falado sobre elas pelas redes sociais e blogues.

Seja lá qual for a sua reclamação, sugestão ou comentário, as empresas tem uma arma muito eficaz (se bem utilizada e atualizada) que se chama CRM – Costumer Relationship Management. Nele, como nome já diz, deve existir uma manutenção da relação entre empresa e consumidor. Para a empresa, sua opinião ajuda a melhorar os produtos e serviços. Para você, consumidor, o retorno é o “sentir-se com voz ativa e possibilidade de mudança”, além de ter produtos e serviços com maior qualidade. Lindo, não é? Em teoria, sim. E na prática? Nem sempre o céu de brigadeiro.

Algumas empresas conseguem a proeza de, sim, cuidar dessa relação. Dar atenção sem torturar o consumidor no call center com o famigerado telemarketing. Empresas que entendem que a prioridade é o consumidor, caso contrário elas não teriam lucros. Ponto para elas!
Enquanto que outras preferem simplesmente ter o “fale conosco” como uma norma cumprida. O que me leva a perguntar: se as empresas investem milhares de reais em uma pesquisa de mercado que meça a satisfação do consumidor em relação a seus produtos/serviços, por quê não economizar alguns desses milhares e fazer um SAC que nao enlouqueça ninguém? Por quê não utilizar essa ferramenta maravilhosa a seu próprio favor e incentivar o pós-venda entre os funcionários, fazendo disso o seu diferencial de mercado?

Há ainda muito a se explorar nesse campo, certamente, mas que o “lidar com pessoas” não seja esquecido. No geral, quem fala, reclama, se impõe quer um feedback, quer ver que sua reclamação/sugestão foi considerada e não apenas falar com as paredes – para não dizer máquinas que atendem telefone. Automatizar a produção e otimizar é, sim, importante e necessário. Mas o outro lado, o do consumidor – aquele que é atingido pela sua mensagem (que custou para ser produzida e veiculada), que compra e dá o lucro – tem que ser respeitado.

“Você não tem o perfil da vaga. Agradecemos a participação”. É só isso mesmo?

novembro 26, 2009

Se você, leitor, ainda não passou por isso, certamente passará. Mesmo que existam empresas modernas, descoladas, de “mente aberta” e criativas, o discurso não evoluiu muito. Mentira, trocam-se algumas palavras na ordem da frase. Mas, como todos sabem bem, a famigerada “ordem dos fatores não altera o produto”.  E o produto? Uma sensação de impotência e a pergunta que não cala: “onde foi que eu errei?”.

E aí? Onde foi que erramos e erraremos? Será que nessa Era Tecnológica que vivêmos, em que é possivel não só videoconferências, mas também robôs fazendo serviço doméstico, não é possível uma elaboração de uma resposta mais consistente?

Deixando de lado as generalizações – e talvez a minha falta de sorte, que não vem ao caso – vamos pensar nisso pelo tempo desse post. Vamos ver os dois lados dessa sinuca de bico.

De um lado, temos o estudante que, assumindo sua candidatura para a vaga “correta”, está diante da pergunta mais cruel de responder: ” fale um pouco sobre você”. E depois dessa etapa, ele que fala Inglês fluente, Espanhol intermediário, fez intercambio no exterior e – sem contar que está nervoso pra caramba – está terminando sua graduação, recebe o seguinte comunicado: “obrigada (o) pela sua entrevista, entraremos em contato” (aperto de mãos e sorriso amarelo).

Bom, para não falar aqui da falta de resposta por parte da empresa – aquela que descobriu há algum tempo que pessoas, seres humanos, trabalham para ela -, o indivíduo, que recebe o tal contato escuta (ou lê) o seguinte: “obrigado (a) pela sua participação em nosso processo seletivo, porém seu perfil não se adequa às necessidades da empresa”.
Por que ele não foi selecionado? O que foi que ele fez ou não fez? Penso que, se o estudante ou candidato a emprego/estágio chegou até a última etapa da seletiva ou o que o valha, ele tem condições de receber uma resposta mais elaborada. Já que ele precisa ser muito qualificado para exercer funções que, às vezes, estão aquém de sua capacidade não me parece errado uma resposta elaborada dada pelo profissional que o entrevistou (muito mais qualificado que o entrevistado, em tese).
E no outro lado, A empresa. Não me parece tão humilhante para ela apontar os erros cometidos na entrevista ou as deficiências de habilidades encontradas no candidato. Generealizar não faz bem, até porque só os diferenciados são contratados. Então, por que a empresa, até para o seu posicionamento e imagem de marca, não passa a adotar uma política mais honesta e justa na seleção de seus funcionários?

Se soubermos onde erramos tanto temos a chance de corrigir, melhorar, adaptar. Críticas bem feitas são muito bem-vindas e nos fazem crescer. Empresas, vamos nos dar essa chance? Ou vocês não acham que a comunicação é a chave do negócio?